O sucesso do fenômeno GLEE por Ryan Murphy, o criador

14 de jul de 2010

Interessante essa reportagem do Correio Braziliense sobre a série GLEE. Compartilho com vocês a matéria na integra:

GLEE
Seriado fenômeno de audiência ganha caixa de DVDs e capítulos inéditos na tevê.

Glee é uma palavrinha eclética. No dicionário, ela aparece como sinônimo de alegria, contentamento, satisfação. Já na gramática musical, tem outras aplicações: é usada como um equivalente para canto de coral. Os tradicionais “glee clubs”, nos colégios dos Estados Unidos, reúnem meninos e meninas com gogó afinado. Mas, recentemente, as quatro letras ganharam um significado que periga se tornar mais conhecido do que todos os outros. É o nome de um seriado que, grudento feito refrão pop, está na ponta da língua do público norte-americano e já começa a invadir o Brasil. Não é exagero: Glee merece ser chamado de hit.

Com pouco mais de um ano de vida (o episódio-piloto foi exibido em maio de 2009 nos EUA), o programa de tevê, recém-lançado em DVD, passou por uma acelerada fase de crescimento. Em dezembro do ano passado, a audiência chegou a 8 milhões de espectadores. Nas rádios, a onda é tão impressionante quanto: em 2009, as músicas da série ocuparam 25 posições no ranking da Billboard. Um número que só não bateu o recorde dos Beatles, que emplacaram 31 canções em 1964.

Como explicar a origem desse furacão? Para Ryan Murphy, um dos três criadores da atração, Glee funciona tão bem porque se instala em um terreno abandonado na tevê americana, a comédia musical:

– Tudo está tão sombrio no mundo hoje. As séries mostram pessoas armadas, seres espaciais, advogados.

De fato, o universo do programa é tingido com as cores fortes de um especial da Disney. Mas que ninguém compre as comparações apressadas com High School Musical: a ingenuidade não está na grade curricular do colégio William McKinley, em Ohio.

É nessa escola fictícia (e conservadora) que vivem os prodígios do grupo vocal Novas Direções, que ensaia para concorridos campeonatos de canto. Eles cantam bem, mas são tratados como estudantes de segunda categoria. São nerds, geeks, losers, para usar um termo bem americanos. A musa dos renegados é uma adolescente narcisista com mania de sucesso. E o galã é um atleta de futebol que mal consegue elaborar frases com mais de três palavras. Além deles, o grupo (organizado por um professor de espanhol) é formado por um guitarrista paraplégico, uma cheerleader grávida, um soprano gay e uma adolescente gordinha e negra, vítima de discriminação.

Aparentemente, não há novidades nesse mix de cantoria e sentimentalismo. O elenco interpreta um repertório variado, que inclui as mais pedidas dos anos 1980 e sucessos recentes. Mas o que diferencia a série é o tom realista dos roteiros, que tocam em assuntos delicados da adolescência, como preconceito e crises de autoestima. Murphy e Brad Falchuk (que escrevem todos os textos com o outro produtor do programa, Ian Brennan) se inspiraram nas próprias experiências juvenis.

Deu certo. Os fãs do seriado, apelidados de “gleeks”, comentam os episódios no Twitter, consomem as músicas da série por iTunes e criam versões das cenas via YouTube (no Brasil, o fã-clube faz abaixo-assinado para trazer o show dos atores para o país). E artistas como Billy Joel e Rihanna fazem questão de embarcar no bonde. A “gleek” mais famosa, Madonna, cedeu todos os direitos de suas músicas para a série.

Os segredos
Coro afinado
O elenco da série, além de carismático, não decepciona quando solta o gogó. Com o sucesso do programa, eles já se apresentaram até na Casa Branca.

Humor ácido
Na fórmula do seriado, a ironia é um dos ingredientes mais saborosos. Os personagens exagerados destilam veneno e, de leve, satirizam o conservadorismo americano.

Para toda a família
Glee não é exatamente destinado às crianças, mas a leveza pop da narrativa agrada tanto à meninada quanto aos adultos acostumados aos dramas da tevê.

Hits e oldies
O repertório interpretado pelos alunos do colégio William McKinley é amplo: vai de Rihanna a Vanilla Ice. Músicas de Beck, Queen, Lady Gaga e U2 já apareceram.

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