Frank Darabont, criador de The Walking Dead, processa a AMC por questões contratuais

18 de dez de 2013


O criador da série sobre zumbis entrou com um processo contra a AMC acusando a emissora de quebra de contrato e retenção de milhões de dólares em lucros.

O processo, aberto na última terça-feira (17 de Dezembro de 2013), sugere que um impasse sobre o lucro de participação de Darabont – acumulado desde 2011 – pode explicar em parte sua demissão abrupta, em julho do mesmo ano (apenas algumas semanas antes da produção da segunda temporada de The Walking Dead e dois dias depois de ele ter aparecido na Comic-Con para promover o show).

A AMC nunca explicou a demissão publicamente, e de acordo com o processo, nem mesmo para Darabont.


“A conduta da AMC para com Frank até à data tem sido nada menos que cruel”, diz o principal advogado de Darabont, Dale Kinsella. “Infelizmente, os fãs de The Walking Dead sofreram também, por terem sido privados de seu talento criativo.”

The Walking Dead estreou em outubro de 2010 e rapidamente se tornou o maior show da TV à cabo. Em sua quarta temporada, o drama sobre um apocalipse zumbi agora atinge em média o número extraordinário de 13 milhões de espectadores – 8,4 milhões deles adultos entre 18 e 49 anos.

O trajeto da série, segundo pesquisas, solidifica seu status como a série com maior audiência em toda a televisão, e já superou programas como Sunday Night Football, da NBC, por vários domingos.

Porém, documentos judiciais afirmam que Darabont e seus agentes não receberam sequer um dólar de sua participação nos lucros prometidos pela AMC.

A ação diz que em Set/12 (dois anos após o lançamento da série) a AMC afirmou que a série deu um prejuízo de U$49 milhões. Um suposto trato entre a produção e a rede “está claramente certificando que eles [Darabont e seus agentes] nunca vejam nenhum centavo”, de acordo com a denúncia.

A ação de Darabont é a mais recente de uma longa linha de chamadas “integrações verticais”, que é quando um produtor paga uma taxa de licença para um estúdio ao qual ele é filiado para que possa receber parte dos lucros do trabalho. As taxas de licença devem ser negociadas entre produtores e distribuidores, para que possam refletir o valor de mercado justo de uma determinada série.

Porém, litígios trazidos por produtores de séries de sucesso, incluindo Home Improvement, The X -Files, Will & Grace e Smallville, alegaram manipulação artificial das taxas de licença entre empresas “verticalmente integradas” para minimizar ou eliminar os pagamentos devidos ao produtor. “Essa prática, conhecida como ‘self-dealing’ (negociação pessoal), está no centro desta disputa”, alega o processo de Darabont.

De acordo com a ação, a AMC inicialmente fez um acordo contratual em setembro de 2009, em que a série seria produzida por um estúdio não afiliado com o esquema de “Integrações verticais”, como a Lionsgate ou Warner Bros. Com isso, Darabont receberia 12,5% dos lucros da entidade após as deduções padrões da indústria.

Darabont entregou o script que foi a base para a primeira temporada de seis episódios, no entanto, o processo alega que a AMC decidiu produzir e transmitir o show de seus próprios estúdios.

Os representantes de Darabont, do escritório de advocacia Jackoway Tyerman, concordaram com a AMC apenas “após ganharem garantias do estúdio de que Darabont obteria proteções contra o self-dealing”.

Essas proteções incluíam um compromisso assinado pela AMC para “pagar” ao seu estúdio uma taxa de licença “imposta”, equiparada ao que o show iria ganhar se os episódios fossem produzidos por um estúdio independente (advogados de produtores geralmente pedem essas garantias).

Segundo o processo, Darabont pediu repetidamente à AMC para confirmar os termos de sua participação nos lucros, diz a ação. Mas a empresa esperou para ver como o show iria se sair. Quando ficou claro que The Walking Dead seria um grande sucesso, a AMC, em seguida, forneceu uma proposta, em fevereiro de 2011, com base em uma “fórmula baixa da taxa de licença”, projetada para garantir que o show nunca tivesse lucro.

“A AMC excedeu a taxa de licença perpétua em pelo menos 65% dos custos de produção da série, ou 1,45 milhões de dólares por episódio, o que significa que haveria um déficit significativo em todos os episódios produzidos pela vida da série.

Em outras palavras: “Por causa da fórmula ultrajante e imprópria da AMC, o Pool de lucros em que Darabont teria a participação, estariam sempre em déficit, não importando o quão longa e bem sucedida a série fosse”.

Compare isso com os arranjos da AMC com séries de sucessos como Mad Men e Breaking Bad, produzidos pelos estúdios independentes Lionsgate e Sony Pictures, respectivamente.

Darabont afirma que nenhum desses shows tiveram uma taxa de licença perpétua.

Na verdade, a AMC participou de negociações conturbadas com os estúdios. No início de 2011, época em que AMC negociava as propostas de lucro com os agentes de Darabont, a rede estava em uma luta acirrada com Lionsgate e o criador de Mad Men, Matthew Weiner - uma briga que terminou com um acordo de US $ 30 milhões para Weiner e com o Lionsgate aumentando a taxa de licença para a quinta, sexta e sétima temporadas da série.

A ação de Darabont se conecta diretamente com sua saída do show, ato da AMC para economizar dinheiro.

“Darabont foi demitido sem justa causa, pouco antes da segunda temporada ir ao ar, justamente para evitar a obrigação contratual da AMC de pagar a Darabont o aumento equiparado aos lucros da mesma (lucros que foram totalmente revestidos na conclusão da 2ª temporada) e evitar a sua obrigação de negociar sua contratação como showrunner da 3ª Temporada”.

Além de danos não especificados – ele alega estar na casa das dezenas de milhões de dólares – Darabont também está pedindo uma parte do lucro de Talking Dead e quaisquer futuras obras derivadas.

Ele também afirma que a AMC coletou para si os frutos de um crédito de imposto de 30% da produção que The Walking Dead recebe para filmar na Geórgia.

O Hollywood Reporter também teve acesso a minuta do processo, clique aqui para ler caso você tenha curiosidade e entenda inglês.

Na minha opinião a série seria melhor do que foi até agora, apesar da 4º temporada estar melhor no quesito enredo, com Frank tenho certeza que a série poderia ter seguido um caminho diferente. Sempre achei estranho terem-no demitido, agora sabemos: ganância de uma emissora que sentiu o cheiro de dinheiro e não quis dividir. Que Frank ganhe tudo que está pedindo porque ele merece!

Fontes:
Hollywood Reporter
The Walking Dead BR

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