Review de ''Trust'', dirigido por David Schwimmer

14 de jun de 2013


Estava eu matando saudades assistindo entrevistas de Matt Leblanc e David Schwimmer. Depois, achei um site com uma super entrevista que Schwimmer deu em Junho de 2011 a respeito do filme Trust, dirigido por ele. 


O drama traduzido para o português como ‘’Confiar’’ discute um dos principais e mais polêmicos temas: o que os adolescentes estão fazendo na internet, seus pais realmente sabem sobre a vida virtual dos seus filhos e o mais importante com quem eles conversam. Annie Cameron (Liana Liberato) é uma garota de 14 anos que vive com os pais Will (Clive Owen) e Lynn (Catherine Keener), seu irmão Peter (Spencer Curnutt) e irmã Kate (Aislinn DeButch) . Uma família que poderia ser considerada perfeita, pais que estão presentes e que se amam. 

Annie conhece um garoto chamado Charlie (Chris Henry Coffey) em um chat para adolescentes e rapidamente envolve-se virtualmente com ele. Após dois meses conversando Charlie revela não ter 16 anos, mas sim 20. Annie fica chateada pela mentira, mas lida com isso e eles continuam conversando, até que Charlie, novamente revela ter 25 anos de idade. Annie, que conversa dia e noite por telefone e computador com ele diz que a idade não importa porque ele é legal e o único que a entende. 

Após marcar um encontro às escondidas com Charlie, Annie descobre que ele é um sujeito de, no mínimo, 35 anos. Ele a convence de que idade é só um número e que espera que ela seja inteligente o suficiente para lidar com isso porque ele a ama e eles são almas gêmeas. Eles tomam sorvete e na cena seguinte eles estão dentro de um carro. Charlie lhe dá um presente, e depois vemos os dois no motel, pois, ele queria ver ela em seu presente (um conjunto de calcinha e sutiã). Ele pede que ela se sente perto dele e ele começa a beijá-la e a deita na cama, mesmo ela dizendo que não queria ele diz que esta tudo bem. 

Dias se passam e o comportamento da garota muda completamente, Charlie não a responde mais. Sua melhor amiga Brittany (Zoe Levin), que a viu no shopping com Charlie pergunta o que aconteceu e após ela confirmar, Brittany conta para a conselheira da escola que chama a policia e depois o FBI aparece. 

Depois disso vemos como uma família unida cai em desgraça, de forma brilhante Schwimmer nos mostra como isso afeta não só a pessoa que foi estuprada, como também sua família. Seu pai começa a se distanciar e fica obcecado em achar o pedófilo. As cenas com a mãe foram sempre ótimas, ela tentou dar apoio ao máximo para a filha e também tentar fazer Will ver que tentar achar Charlie não faria Annie ficar bem, o que a ajudaria seria seu apoio. Will julga sua filha e não consegue acreditar que ela tenha continuado conversando com o pedófilo mesmo depois de ele ter dito que não tinha 16 anos e por não ter lhe contato. Ele até chega a criar um perfil de menina no chat para tentar atrair o mesmo pedófilo. 

O FBI tenta rastrear Charlie através de uma ligação à Annie, mas como ele é esperto, liga para o celular de sua mãe - que conseguiu na internet porque ele é corretora de imóveis - e descobre que Annie mentiu quando disse que seus pais não estavam em casa. Depois disso Charlie não retorna mais os telefonemas de Annie, esta por sua vez se revolta com seus pais. Em sua mente ela acreditava que aquilo não tivesse sido estupro, apenas sexo. 
 
De certa forma conseguimos entender que esta foi a única forma com que ela conseguiu lidar com tudo isso, acreditando que ele a amava. Porém ao descobrir que ele já havia feito isso outras vezes (mais três para ser exato!) ela percebeu que foi apenas mais uma, que foi enganada e que ele só queria sexo. E assim ela percebe que aquilo foi realmente abuso sexual. 

O filme é tão realista que assusta. O sub enredo do filme tem a ver com a profissão de Will, ele trabalha com propaganda e marketing. E usa de jovens com roupas provocantes ou de roupa intima para vender seus produtos. Isso mostra que a sociedade comercializa essa imagem sexual de jovens e eles são tão culpados como o pedófilo. 


Outro ponto que preciso comentar é quando Will conta a seu colega de trabalho que Annie foi estuprada. Primeiro ele fica chocado, pensando que ela teria sido atacada ou sequestrada, porém quando Will revela que foi com um cara que ela conheceu na internet ele disse que poderia ter sido pior. 

Muitas das opiniões no filme refletem também os pensamentos desinformados da vida real, já que em nossa realidade, a vitima é quem é a culpada por ter se colocado nessa posição, ou a forma como ela se veste, lugares que frequenta etc. Como se a culpa não fosse do estuprador e sim de quem se deixa estuprar por não ter previsto que isso aconteceria. 

Gostaria de dizer que no final eles encontram Charlie e o prendem, porém não, Annie começa a sofrer bullying e criam um site chamando-a de ‘’whore’’, ela tenta se matar. Na manhã seguinte, Annie perdoa seu pai pelo seu comportamento e eles se abaçam. Fim.?! 

Já nos créditos vemos Charlie, que na verdade, se chama Graham Weston, um típico cara normal com mulher e filho, professor e conhecido de alguns do bairro. A mensagem final implícita é que devemos ter cuidado em quem confiamos, porque às vezes aquela pessoa que aparenta ter uma vida pacata pode na verdade estar escondendo algo nojento desse tipo. 

Em entrevista o diretor David Schwimmer disse que ele tentou não expor a jovem atriz a muita coisa nas cenas do estupro e que nas filmagens só ficarem as pessoas que realmente precisavam estar ali. 

Detalhe: Ele revelou gostar mais de dramas do que de comédia e que inicialmente ele queria interpretar Charlie. Alguém aí consegue imaginar como seria se ele realmente tivesse feito esse papel?

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